Vou falar do educando, nosso principal personagem e para quem nós educadores traçamos metas, planejamos aulas, criamos projetos, vou falar desse ser e de sua importância.
Eles são assim: travessos, brincalhões, espontâneos, cheios de vontade quando chegam, pois trazem consigo a expectativa de aprender, de ler, de escrever, de interpretar o mundo, porém alguns se deparam com a triste realidade da impotência, do julgamento e passam a creditar que não são capazes, que não adianta tentar e se isolam, se fecham e criam seu mundo particular, sem fantasia ou esperança. Mas também há aqueles que são incentivados, e todos “enchem a sua bola", porque tem facilidade e é fácil a sua aprendizagem, e estes sim, recebem aplausos e muita atenção de todos que fazem parte da escola.
Nossas crianças crescem, se tornam adolescentes educados ou não, mas continuam sendo educandos, não menos carentes de atenção, e é para quem nossos olhos precisam estar mais abertos, nossos ouvidos mais atentos e nossos valores mais éticos e menos moralistas, porque este é o caminho para nos aproximarmos e conquistá-los. Infelizmente também há aqueles que escolhem o distanciamento, o desinteresse e acreditam que a agressão é sua proteção, e nós despreparados para lidar com esses jovens agimos com indiferença e repetimos suas indelicadezas acreditando que os farão rever suas ações. Os resultados muitas vezes deixam a desejar.
Outro personagem fundamental neste cenário somos nós, educadores, que temos o privilégio de conduzir essas relações e estabelecer critérios para uma aprendizagem saudável e real, onde o desejo do educando seja despertado, assim como seus sonhos, suas habilidades, potencialidades sem esquecer suas fragilidades. Ao mesmo tempo, também precisamos ser respeitados, valorizados e incentivados para uma atuação eficaz.
Escrever neste blog oportuniza a mim, uma reflexão sobre os personagens de toda escola e principalmente da nossa prática pedagógica, pois devemos sempre olhar para nossas fragilidades e potencialidades, rever nossos fracassos e sucessos, nossos erros e acertos, além de repensar nossas metas para que hoje, mais do que nunca tenhamos a certeza do que queremos.
Nós educadores queremos uma escola participativa, com ações democráticas, e que nosso trabalho reflita nas ações de nossos educandos, despertando-os para uma atuação crítica e reflexiva do seu papel dentro da comunidade onde estão inseridos, tendo a oportunidade de modificar a si e ao seu grupo, com o intuito de transformar suas atitudes para uma vida melhor e tornar-se um ser ecológico, ou seja, capaz de respeitar, cooperar e interagir com outros seres.
Acredito que momentos de reflexão nos trarão crescimento e oportunidades de compartilhar idéias e experiências que farão diferença em nossa atuação, podendo até transformar nossa escola através de um trabalho cooperativo e solidário, com ações que permitam a autonomia dos diferentes grupos que a compõem.
Para concluir, cito Paulo Freire que diz que escola é o lugar onde se fazem amigos, não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que se alegra, se conhece, se estima. Diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente, aluno é gente, cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor à medida que cada um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de ilha cercada de gente por todos os lados.
Adriana Martins