terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um pouquinho do meu trabalho na Sala de Recursos

Há 1 ano e 4 meses que vivo a experiência deste trabalho, que de certa forma tem sido mágico em vários momentos, porque me permite olhar todos os dias pra diversidade do ser e saber que cada um pode ser feliz do seu jeito, com seus medos e desejos. E quando olho pra cada um dos meus alunos sinto que fiz a escolha certa, porque aprender com a criança é a melhor experiência profissional na área da educação. Então vejam e apreciem um pouco do meu dia-a-dia (sem hifen ou com hifen?)!!! Acho que era sem, mas sou saudosista como uma boa canceriana. Estou gostando desta história de brincar com blog rsrs.
Trabalhando com a Matemática (Sequência) através do jogo (Rack)

Usando o carimbo para construir jogo de memória.

                                                           Ludo... de quem é a vez?

                                         Contando histórias... vem pra roda!
ABC... abracadabra: surgiu a palavra!!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Falando de quem nos interessas mais... peça central desta tragetória.

         Vou falar do educando, nosso principal personagem e para quem nós educadores traçamos metas, planejamos aulas, criamos projetos, vou falar desse ser e de sua importância.
Eles são assim: travessos, brincalhões, espontâneos, cheios de vontade quando chegam, pois trazem consigo a expectativa de aprender, de ler, de escrever, de interpretar o mundo, porém alguns se deparam com a triste realidade da impotência, do julgamento e passam a creditar que não são capazes, que não adianta tentar e se isolam, se fecham e criam seu mundo particular, sem fantasia ou esperança. Mas também há aqueles que são incentivados, e todos “enchem a sua bola", porque tem facilidade e é fácil a sua aprendizagem, e estes sim, recebem aplausos e muita atenção de todos que fazem parte da escola.
      Nossas crianças crescem, se tornam adolescentes educados ou não, mas continuam sendo educandos, não menos carentes de atenção, e é para quem nossos olhos precisam estar mais abertos, nossos ouvidos mais atentos e nossos valores mais éticos e menos moralistas, porque este é o caminho para nos aproximarmos e conquistá-los. Infelizmente também há aqueles que escolhem o distanciamento, o desinteresse e acreditam que a agressão é sua proteção, e nós despreparados para lidar com esses jovens agimos com indiferença e repetimos suas indelicadezas acreditando que os farão rever suas ações. Os resultados muitas vezes deixam a desejar.
          Outro personagem fundamental neste cenário somos nós, educadores, que temos o privilégio de conduzir essas relações e estabelecer critérios para uma aprendizagem saudável e real, onde o desejo do educando seja despertado, assim como seus sonhos, suas habilidades, potencialidades sem esquecer suas fragilidades. Ao mesmo tempo, também precisamos ser respeitados, valorizados e incentivados para uma atuação eficaz.
         Escrever neste blog oportuniza a mim, uma reflexão sobre os personagens de toda escola e principalmente da nossa prática pedagógica, pois devemos sempre olhar para nossas fragilidades e potencialidades, rever nossos fracassos e sucessos, nossos erros e acertos, além de repensar nossas metas para que hoje, mais do que nunca tenhamos a certeza do que queremos.
         Nós educadores queremos uma escola participativa, com ações democráticas, e que nosso trabalho reflita nas ações de nossos educandos, despertando-os para uma atuação crítica e reflexiva do seu papel dentro da comunidade onde estão inseridos, tendo a oportunidade de modificar a si e ao seu grupo, com o intuito de transformar suas atitudes para uma vida melhor e tornar-se um ser ecológico, ou seja, capaz de respeitar, cooperar e interagir com outros seres.
         Acredito que momentos de reflexão nos trarão crescimento e oportunidades de compartilhar idéias e experiências que farão diferença em nossa atuação, podendo até transformar nossa escola através de um trabalho cooperativo e solidário, com ações que permitam a autonomia dos diferentes grupos que a compõem.
         Para concluir, cito Paulo Freire que diz que escola é o lugar onde se fazem amigos, não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que se alegra, se conhece, se estima. Diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente, aluno é gente, cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor à medida que cada um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de ilha cercada de gente por todos os lados.   
Adriana Martins

Escola... memória...LEMBRANÇAS

           Cresci numa fazenda no interior de São Paulo. Minha classe era multisseriada e havia apenas duas salas com 1ª e 2ª séries, 3ª e 4ª séries, mas com todo o espaço que uma fazenda pode oferecer, porque aqui não existia a preocupação com muros, cercas, éramos livres para brincar e sermos crianças.
       No entanto, também não tínhamos os livros a nossa disposição, mas sim, goiabeiras, mangueiras, gameleiras onde criávamos nossas fantasias e viajávamos com a nossa imaginação por lugares sonhados ou não.  
            Mas como toda criança que tem acesso a escola aprendemos que letras formam palavras, que formam idéias e criam cidadãos... mesmo que seja por um “Caminho Suave”, sem muita criatividade.
           Foi assim que descobri que a leitura fazia parte do meu dia e do quanto eu queria mostrar o que sabia e que podia... foi assim que percebi que ler era crescer, perceber um mundo ao qual não conhecia... Então conheci Magda que me deixou escolher outro caminho além do suave. Foi então que conheci Cazuza (1), minha primeira fantasia e que despertou em mim além da leitura o desejo de escrever.
        Fui crescendo e ampliando meu mundo de leitura. Mundo que era cada vez mais fascinante... conheci a biblioteca, a pesquisa, o romance... e o Jademir com quem pude compartilhar os melhores momentos da leitura. Com ele, trocava idéias, possibilidades, vida... enfim percebemos que ler era vencer barreiras e fortalecer amizades.
        Agora cresci, tornei-me uma educadora. E como não podia deixar de ser, Paulo Freire foi minha melhor leitura, pois com ele, aprendi que “O caminho se faz caminhando” e que educar é um ato de amor. 
        Tento enquanto profissional, despertar nas crianças, adolescentes e adultos com os quais troco experiências diariamente o desejo de ler, de sonhar, de conhecer o mundo através dos livros para que despertem dentro deles um mundo diferente e maior do qual conhecem, para que a vida lhes seja transformadora, pois “a vida que a gente quer depende do que a gente faz”(2).
           Atualmente, trabalho com crianças com deficiências, então, leio pra elas, porque ainda acredito que uma boa história é a melhor forma de sonhar.
                                                   Adriana Martins

1- Livro de Viriato Correia
2- Frase retirado do livro “O melhor lugar do mundo”.